Olá pessoal, vamos montar nosso equipamento? Desta vez irei passar algumas dicas, confira!
Existem vários “sistemas” de produção, que ao longo do tempo foram sendo aperfeiçoados pelos cervejeiros caseiros.
Apesar da vasta possibilidade de variações, as diferenças mais significativas para nós podem ser:
Quanto ao aquecimento do mosto na mosturação
Quanto ao sistema de filtração
Quanto à forma de resfriamento
Existem outras variações dentro dessas funções, mas vamos nos ater ao que é praticado com mais freqüência.
O nosso equipamento será baseado no sistema mais simples: Aquecimento por chama direta, filtração por bazooca e resfriamento por chiller de imersão. O porquê dessa escolha? Simplicidade, custo e o mais importante: se o processo for bem feito, não deve nada para os outros sistemas no quesito qualidade.
Como já foi dito anteriormente, algumas coisas você compra prontas e outras exigem certa “manufatura”, ou seja, uma modificação.
Os itens que se compram prontos são o moedor de grãos, a balança, a panela pequena para água quente (HLT), a colher, proveta, mangueira atóxica, densímetro, termômetro e a prensa de tampinhas.
Os itens que precisam ser ajustados são as panelas, o chiller (trocador de calor, para resfriamento do mosto) e o fermentador. Mais detalhes sobre cada um desses itens podem ser obtidos no artigo anterior.
São duas as panelas que teremos que modificar: Panela de mosturação/filtragem, e panela de fervura. A modificação na primeira consiste em instalarmos uma válvula e o filtro e na segunda somente a válvula. Em ambas teremos que fazer a furação para passagem do acoplamento da válvula. Essa furação pode ser feita com o auxílio de uma furadeira com serra copo, e, caso você não tenha acesso a algo assim, leve a panela em alguma serralheria (que fazem esquadrias de alumínio) e peça para que façam um furo de 22 mm de diâmetro a aproximadamente 20 mm do fundo da panela. Uma vez com as panelas devidamente perfuradas, deve-se proceder com a montagem da válvula, que no caso da panela de filtragem necessita dos seguintes itens:

Quase todos os itens podem ser adquiridos em casas de ferragens. Com alguma pesquisa na internet com certeza se encontra lojas não tão longe. Atenção especial deve ser dada a malha de INOX, a famosa bazooka cervejeira. É necessário fazer um cartucho, em forma de bisnaga com ela. Inicialmente se faz um tubo com uns 22 mm de diâmetro e 200 mm de comprimento, costurando-o com um filamento retirado de outro pedaço da própria malha. Com o tubo já pronto deve-se fechar um dos lados, como a extremidade de um tubo de creme dental, arrematando com alguns pontos de costura também. Parece complicado, mas na verdade é uma questão de pré-disposição.
A montagem final fica com esse aspecto:

A panela de fervura segue o mesmo conceito, só que não possui os itens (1), (2) e (3). O seu aspecto então seria este:

Chiller, ou resfriador, é o “equipamento” utilizado para baixar a temperatura do mosto após a fervura, o que é muito importante para evitarmos contaminações e atividades químicas inesperadas e indesejadas. O jeito mais simples de se resfriar o mosto é colocando a panela dentro de um tanque com água, sal e gelo, mas como vocês podem imaginar esse “tanquinho” precisaria ter grandes dimensões e isso acaba tornando o processo um tanto “espaçoso”. Uma forma também simples, porém mais compacta e que eu particularmente recomendo para o início, é o chiller de imersão. Consiste em um tubo de cobre, que vocês terão que enrolar em forma de serpentina (como uma mola) e conectar um pedaço de mangueira de jardim em cada extremidade, sendo uma para entrada de água fria (da torneira) e uma para saída da água aquecida. Na mangueira de entrada também é preciso instalar uma daquelas conexões para torneira, que é possível encontrar em qualquer loja de material de construção ou jardinagem. Na utilização, ele é imerso no mosto e por seu interior passa água, que entra fria e vai trocando de calor com o mosto no transcorrer de sua passagem, saindo quente do outro lado. O cobre é extremamente maleável e um tubo de ¼” de diâmetro interno pode ser enrolado à mão, em torno de um cilindro qualquer (como um balde, por exemplo).

O importante é que tanto a altura como o diâmetro do chiller não ultrapassem as dimensões internas da panela. 7 metros de tubo de cobre de ¼”, 3 abraçadeiras, um conector para torneira e 5 metros de mangueira de jardim compõem a lista de materiais de um autêntico chiller de cervejeiro. O aspecto final, dentro da panela, fica assim:

Basicamente serão necessários (para cada fermentador): Um garrafão de água mineral em boas condições, uma válvula airlock, que pode ser comprada via internet em lojas para cervejeiros caseiros e uma rolha, preferencialmente de silicone, que deverá ser furada para o encaixe do airlock. O encaixe da rolha deve vedar perfeitamente a boca do garrafão. Um opcional que ajuda muito nas transferências e no envase é a instalação de uma torneira, dessas de bebedouro, uns dois dedos acima do fundo do fermentador, mas é bem difícil fazer essa instalação, sendo necessário segurar e porca internamente com o auxílio de uma haste ou arame. O número de fermentadores é relativo à sua expectativa de produção, mas é importante ter no mínimo dois, para facilitar as transferências. O aspecto final do tanque é similar ao representado na figura abaixo.

É isso aí, com esses itens em mãos considerem-se proprietários de uma cervejaria artesanal. Com esse artigo dou como finalizada a etapa de conhecimento do equipamento. Nos próximos começaremos a ter a noção de como utilizar esses materiais. Conto com vocês!
Sobre o autor
Tiago Silva é analista de processos industriais, cervejeiro artenasal, um dos criadores da cerveja curitibana Diabólica 666, desenvolvedor da linha de cervejas especiais da GaudenBier e responsável pela Cerveja Pagan.
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