Confira a entrevista que dei para o pessoal do CluBeer!

Daniel, no Mestre-Cervejeiro.com você conta que começou a ter contato com cerveja através de intercâmbios em outros países. Conte um pouco sobre essas experiências: a quais países você foi, quais cervejas você se lembra de provar, com qual propósito você para fora (se as cervejas já eram uma motivação)…

Sempre me interessei por cervejas, quando adolescente tinha coleção de latinhas – que não bebia!! deixava todas guardadas e fechadas – e admirava incansavelmente os rótulos e países de origem de cada cerveja. Isso sem dúvida me despertou o interesse pelas viagens e também pra minha primeira formação (sou designer gráfico) – daí que veio toda a história de criar o Mestre-Cervejeiro.com.

Nesse tempo pude fazer intercâmbios e viagens pra países cervejeiros como Alemanha, Dinamarca, Bélgica e Inglaterra. Já com a idéia de ir pra lá e não somente conhecer a cultura local ou estudar mas como também provar e conhecer as cervejarias. Meu primeiro intercâmbio foi em 1998 justo pra Bélgica, Dinamarca e Inglaterra, e de lá pra cá não teve volta, já sabemos como foi a história… rs

Morei em 2002 em Munique, e quando voltei estava decidido a trabalhar com o que mais eu gostava: cervejas. E como fazer isso aqui, num momento que o mercado era exclusivo das cervejas massificadas e não tinhamos alternativas? Crei o site Mestre-Cervejeiro.com para falar sobre cerveja.

Sempre em cada viagem, procurando conhecer mais, comprando livros, lendo muito sobre o assunto, e como no Brasil ainda não tinha um curso específico de sommelier, me formei primeiramente como sommelier de vinhos mas para aplicar exclusivamente as técnicas de degustação e harmonização nas cervejas. Queria entender melhor como funcionava e abri a minha primeira loja em 2009, que era um ponto de venda exclusivo de cervejas. Quando surgiu a primeira turma de sommelier de cervejas no Brasil, em 2010, fiz parte da turma.

Apesar de estar já trabalhando com cervejas tanto dentro do site como fora desde 2004, relizado eventos como o Beer Day, ministrado workshops, distribuido a Eisenbahn pro interior do PR, o curso de sommelier de cervejas foi de muita importância.

Quando você iniciou seu projeto cervejeiro em 2004 no Brasil, houve boa receptividade já na época? Já havia um público que procurava um portal especializado no universo cervejeiro?

Sim, havia. Era muito restrito, mas havia. Principalmente de pessoas que foram pra o exterior pelos mais diversos motivos, tinham provado as cervejas de lá e quando voltavam não encontravam nada parecido por aqui. Esse gosto dos brasileiros pelas cervejas gourmet sem dúvida era latente e estava acontecendo pequenos movimentos simultâneos em diferentes partes do Brasil. Sites sendo criados, cervejarias nascendo, importadores trabalhando coisa nova, e o trabalho de diversos profissionais apaixonados pelas cervejas fez que cada um fosse uma peça muito importante no quebra cabeça para chegar no que estamos passando hoje.

Quem tinha o interesse levantava a questão: Por que lá fora tem tantas cervejas, tantos aromas e sabores e aqui não encontramos?!

Além do portal, você também passou atuar no ambiente off-line, oferecendo serviços a pontos de venda, estando presente em eventos e até lançando uma rede de franquias de lojas Mestre-Cervejeiro.com. Como se deu essa transição de online para o off-line? Você já tinha essa pretensão?

Quando montei o site, eu imaginava em ter uma loja de cervejas, e que essa loja fosse no modelo de franquia. Gostava e já trabalhava com cerveja e Identidade Visual de empresas. O resultado seria uma franquia. E eu estava disposto a isso. Nesse tempo, como havia muito poucas pessoas falando de cerveja, e a internet crescendo cada vez mais. Mídias e empresas de eventos me achavam pelo site. Com isso comecei a fazer colaborações pra imprensa, nas mídias mais diversas, e fazer eventos de cerveja.

Quase 10 anos depois, como você avalia a evolução do mercado de cervejas no Brasil? O que mudou?

Olha hoje posso te falar que o mercado está no auge, ano que vem posso te falar que está no auge, daqui a 5-10 anos também continuarei a falar que está no auge… Porque tem muito pra crescer. Já desenvolveu bastante, mas tem muito pra crescer e maturar pela frente.

O bom é que a cada dia mais pessoas está familarizadas com a diversidade de sabores, marcas e estilos que a cerveja pode oferecer. E o legal é que os cervejeiros apoiam e valorizam em muito a cena nacional.

E o que você acha que ainda está para acontecer nesse cenário nos próximos anos?

Muita coisa boa!! Principalmente a maturação do mercado das cervejas gourmet e cada vez mais o interesse de novas pessoas.

De gole em gole (jogo rápido)

Cerveja nacional preferida:
Pô, daí é sacanagem. Tem que escolher uma mesmo? rss… Olha, tem muitas execelentes cervejas tanto nacionais como importadas sendo feitas e é uma grande injustiça escolher uma. Eu fico com as que oferecem mais sabor dentro de cada estilo, tanto no Brasil como fora. ;-]

Cerveja internacional preferida:

Harmonização preferida:
Aqui também restringir a uma única opção é dureza… rs.. mas gosto muito de Carne de Onça* x Schwarzbier. Também gosto de polvo ao molho cítrico e tomate x Geuze**
*prato típico alemão, chamado lá por Hackpeter, aqui no sul chamamos de Carne de Onça – mas não vai onça, o bicho mesmo, é sempre bom avisar rss
**Receita do Edu Passarelli, tem no blog dele, recomendo!)

Fato cervejeiro dos últimos 12 meses:
IPA Day 2013 em Reibeirão e Mondial de la Bière 2013 em Montreal

Cervejaria do ano:
De Molen

Cerveja em minha vida é…
Trabalho (muito por sinal, mas recompensador) e ótimos momentos de lazer com os amigos.

About Daniel Wolff

Sommelier de Cervejas, Diretor da rede de franquias Mestre-Cervejeiro.com e juiz internacional de concursos cervejeiros. Fundou o Mestre-Cervejeiro.com em 2004 para promover a Cultura da Cerveja, já tendo prestado serviços para diversas cervejarias e grandes empresas.

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