Fundador da Eisenbahn diz que mercado brasileiro ainda tem muito o que crescer
A terceira edição do Concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn, que elege anualmente as melhores cervejas produzidas por cervejeiros caseiros, registrou em 2010 um aumento de mais de 100% no número de bebidas concorrentes, em relação ao ano passado. De acordo com o idealizador do concurso e um dos fundadores da Eisenbahn, Juliano Mendes, esse foi o principal avanço dessa edição da disputa. “Da primeira para a segunda edição não houve um aumento significativo do número de cervejas. Mas este ano, tivemos mais que o dobro da edição anterior”, comemora Mendes.
Já a qualidade das bebidas apresentadas, segundo o idealizador do concurso, vem mantendo o padrão das primeiras edições. “Tem cervejas excelentes e cervejas que precisam melhorar bastante. A diferença da primeira colocada para a última é sempre muito grande. Tivemos casos de cervejas desclassificadas por defeitos muito evidentes. Entre as primeiras colocadas, a disputa foi mais equilibrada”, explica Mendes.
A próxima edição do Concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn está garantida, de acordo com a assessoria de imprensa da Schicariol. Para Juliano Mendes, o resultado desde ano cria uma expectativa alta para 2011. “De agora em diante vai crescer, será um salto grande”, afirma. Quando criou o concurso, Mendes não estava certo do sucesso da empreitada, mas hoje vê que o objetivo de estimular o desenvolvimento da cultura de produzir cerveja em casa vem sendo alcançado. “A gente vê os cervejeiros caseiros orgulhosos do produto que fizeram. Eles levam para as pessoas que nunca tiveram contato com essa produção antes experimentarem. Essas pessoas viram consumidores e acabam tendo vontade de aprender também”, conta o empresário.
Quanto à produção industrial da bebida por microcervejarias, Mendes aposta num longo caminho a ser percorrido pelos cervejeiros brasileiros. “Esse mercado no Brasil ainda está no começo, tem muita coisa pela frente. Na Alemanha o que domina são as cervejas regionais, nos Estados Unidos as cervejas especiais representam 25% do mercado, no Brasil fica muito no marketing, não chega a 1% ainda. Estatísticas que apontam 4 a 5% incluem cervejas que não são especiais”, compara.
A principal barreira, na avaliação de Mendes, ainda é a falta de informação. “A produção de cervejas especiais em grande escala não tem nenhuma restrição técnica. O volume pode ser grande, mantendo a mesma receita. A Samuel Adams é cem vezes maior que a Eisenbahn. Mas falta conhecimento, as pessoas acabam consumindo pela marca e não degustam o produto. Enquanto o brasileiro não se interessar mais, não vai mudar”, observa.