Nesta terça-feira (24) é comemorado o Dia Nacional do Café. O Brasil é o maior produtor de café do mundo. Somente em 2011, deve colher e beneficiar 44 milhões de sacas de 60 kg, de acordo com números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mas aí você se pergunta: esse site não é sobre cerveja? Sim, ele é. Mas que tal aproveitarmos a data para falar das notas de café, presentes em alguns estilos de cervejas mais escuras?
Diferente do que muitos pensam, não é adicionado café na cerveja para se ter sabor ou notas do produto. Esse sabor vem principalmente da torrefação do malte, que acontece ainda na malteação do grão. Antes de se misturar a cevada com a água para fazer a bebida, é necessário que ela seja transformada em malte, ou seja, que passe pelo processo de germinação e secagem dos grãos que faz com que o cereal libere açúcares e enzimas essenciais para o processo de fermentação. Sem isso, a mágica não acontece.
É justamente a intensidade dessa secagem que vai determinar se o malte vai ficar claro (secagem em temperaturas mais baixas) ou mais escuro (mais altas), gerando a torrefação do grão. E isso interfere diretamente no sabor da cerveja.
Maltes que são somente secos dão origem a cervejas mais claras, com sabor de biscoito ou panificação. Os tostados podem fazer cervejas avermelhadas, que lembram caramelo, muitas vezes. Já os mais torrados fazem cervejas escuras, que podem ter notas que lembram chocolate e café. Não é nem preciso lembrar que o café também passa por um longo processo de beneficiamento do grão, que também envolve secagem e torrefação.
Na prática, esse sabor pode ser encontrado tanto em estilos de cerveja de de baixa fermentação (Lagers) quanto de alta fermentação (Ales). Schwarzbiers, Porters e algumas variações de Stouts trazem notas mais intensas, pela maior presença do malte torrado.
Algumas sugestões de cervejas que lembram café, em maior ou menor grau:
Schwarzbiers: As nacionais Bamberg Schwarzbier, Eisenbahn Dunkel e Falkebier Outro Preto, além da alemã Köstritzer Schwarzbier.
Porters: A americana Flying Dog Gonzo – Imperial Porter, a escocesa Harviestoun Old Engine Oil, a londrina Meantime London Porter, a argentina Antares Porter, e a paranaense artesanal De Bora Porter.
Stouts: As irlandesas Guinness e Murphy's Stout, assim como a paranaense Klein Bier, trazem aroma mais suave de café que a Baden Baden Stout, de Campos do Jordão, e a Schornstein Imperial Stout, de Pomerode (SC), por exemplo. Na americana Brooklyn Black Chocolate Stout e na artesanal paranaense Dúm Petroleum essas notas são mais evidentes.
Lá no começo do texto disse que as cervejas não sofriam adição de café para ficar com esse sabor. Mas toda a regra tem sua exceção. Uma delas é a Colorado Demoiselle, produzida pela cervejaria de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Ela é uma Porter, feita com malte torrado, mas leva café durante o processo, na etapa de de fermentação, o que aumenta sua presença na cerveja. A fidelidade dessa cerveja ao estilo e a criatividade brasileira fizeram com que a Demoiselle ganhasse a medalha de ouro na edição 2008 do European Beer Star – um dos maiores concursos de cerveja do mundo.
[div class="notice" class2="typo-icon"] Sobre o autor
Luís Celso Jr. é jornalista profissional, mestrando em Estudos Literários, artista em formação e blogueiro de boteco. Além de repórter de jornal e internet, escreve no blog Bar do Celso.
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