Os dias já surgem com termômetros bem baixos. Dez, oito, cinco graus em média são registrados na madrugada, até que os raios de sol contribuam para que as temperaturas se elevem, embora não muito. Com o frio, a paisagem européia se fortalece. Campos verdejantes, arquitetura tÃpica, pessoas de rostos alvos e cabelos loiros. Guarde o passaporte, porque neste Vale Europeu, brasileiro entra sem o documento. Estamos em Santa Catarina, região colonizada por imigrantes da Europa que mantém as tradições e ritmo dos antepassados. Com atividade turÃstica forte, as cidades do entorno de Blumenau estabeleceram um roteiro diferenciado no paÃs, que destaca uma produção local bem viva. E que chama a atenção de muita gente: a fabricação de chope artesanal.
A bebida é tratada com carinho e o roteiro é recente. Ainda assim, a tradição de fabricar cerveja artesanal no Vale do Itajaà atravessa mais de um século. Trazida pelos imigrantes alemães por volta de 1860, adormeceu por um tempo. A melhoria das estradas que ligam a região ao resto do paÃs e a invasão das cervejarias comerciais fizeram com que a fabricação artesanal dos descendentes de alemães perdesse força.
Há cerca de 30 anos, a possibilidade de realizar uma festa em homenagem a cerveja foi tomando forma até que, em 1984 surgiu a Oktoberfest. Mas um evento anual, mantinha uma lacuna no hábito antigo, de fabricação de cerveja caseira. Até que, a partir de 1996, a fabricação cervejeira de pequenas fábricas foi tomando novos contornos. Pequenos empresários passaram a apostar em seus sonhos e, hoje, só entre as cidades de Blumenau, Brusque, Gaspar, Pomerode, Timbó e Indaial, são nove microcervejarias. Assim como as bebidas que fabricam, cada uma tem suas caracterÃsticas próprias. Mas todas têm o mesmo objetivo: recuperar a história e o verdadeiro sabor da cerveja.
A mais antiga da atual fase é a Cervejaria Borck, de Timbó. Foi instalada em 1999. É a única cervejaria da região batizada de Vale das Cervejarias Artesanais que produz o tipo malzebier. A curiosidade desta bebida é que, para adquirir o sabor mais adocicado e a cor escura, é adicionado o corante caramelo aos ingredientes tradicionais da cerveja pilsen. A pilsen, aliás, é o outro tipo de bebida produzido pela Borck.
Em 2002 surge a Eisenbahn, talvez a mais conhecida mundialmente. Situada em Blumenau, a cervejaria é conhecida por não parar de inovar. Está sempre lançando uma nova variedade da bebida no mercado. Tudo é resultado de muita pesquisa, viagens à Alemanha e à Bélgica, matéria-prima selecionada e a mão de um mestre-cervejeiro com mais de 30 anos de experiência.
A ZeHn Bier, de Brusque, surgiu em 2003. É a única a vender chope engarrafado, sem transformá-lo em cerveja. Ao ser posta na garrafa, a bebida não é pasteurizada. Tanques e garrafas são esterilizados com um produto poderoso que, depois de certo tempo, se transforma em água, não deixando resÃduos nem contaminação.
No mesmo ano, em Blumenau, nasce a Bierland. Os três fundadores eram proprietários de uma empresa de tintas. Resolveram partir para o ramo de alimentÃcios. Fizeram uma pesquisa de mercado e já com água na boca, decidiram investir na sua paixão: cerveja. O nome, que significa terra da cerveja, é em homenagem a Blumenau. O bar da fábrica conta com espaço ideal para happy hour e confraternizações.
Indaial ganhou sua cervejaria em 2005. A Heimat é uma mistura de lembranças da infância com tradição familiar. Ao abrir a cervejaria, Georg Nuber resgatou uma receita de 700 anos trazida ao Brasil pelo seu avô em 1932. Verdadeiramente apaixonado pelo que faz e orgulhoso do seu produto, Nuber fez viagens pela Alemanha, pelas cidades de onde vieram seus antepassados e trouxe de lá todos os ensinamentos que ficaram esquecidos durante tantos anos.
Na Copa do Mundo de 2006, a Cervejaria Schornstein abriu suas portas em Pomerode. Esta cervejaria é o retrato mais fiel da necessidade que a região tinha de se investir na fabricação artesanal de cerveja e explorar este nicho turisticamente. Ela é resultado de um plano de negócios desenvolvido em um curso de MBA que detectou que o projeto era viável. Então o grupo resolveu mergulhar de cabeça. Disputou o leilão da área onde a cervejaria está instalada, contratou um cervejeiro e entrou com tudo no mercado.
A Schornstein é a única cervejaria artesanal que ganhou o mercado paulista. Com uma fábrica em Holambra recém-inaugurada, o empreendimento ganhou mais visibilidade. Em sua terra natal, além de resgatar a tradição das cervejas artesanais, a Schornstein preserva ainda um patrimônio histórico da cidade. Ela está sediada em um prédio com cerca de 50 anos de existência que tem uma chaminé de 30 metros de altura toda de tijolos maciços. Esta é sua principal referência e está na logomarca e no significado do nome Schornstein.
A caçula do roteiro das cervejarias do Vale do ItajaÃ, a Das Bier também foi inaugurada em 2006. Localizada em uma propriedade mais retirada do meio urbano, o espaço para o happy hour é rodeado pela natureza. As lagoas fazem parte de um peque-pague que existia na propriedade 12 anos antes da microcervejaria e que continua funcionando normalmente. Os sócios do empreendimento queriam agregar mais valor ao negócio. Um deles viajou ao exterior e conheceu o universo das cervejarias artesanais. Era isso. Desde então foram cinco anos de pesquisas, projetos, pensando nos detalhes para que a caçulinha já nascesse à altura das concorrentes.
A Das Bier é a única do roteiro que produz uma variedade de chope chamada braune ale. Com uma lupulagem diferenciada, a bebida é mais encorpada, do tipo inglesa, com teor alcoólico mais elevado. Outro destaque da cervejaria é a Der Schnaps. A produção de cachaça artesanal do Bairro Belchior Alto, onde está localizada, é envelhecida em barris de carvalho e revendida.
Além do sabor atual, o visitante pode conhecer o Museu da Cerveja, instalado em Blumenau bem próximo ao marco zero, local onde desembarcaram os primeiros colonizadores. O espaço traz rótulos, equipamentos antigos, detalhes precisos e curiosos de uma tradição que não se perdeu com o passar do tempo.
De avião: o aeroporto mais próximo é o de Navegantes, a cerca de 60 quilômetros de Blumenau. De lá, toma-se a BR-470 em direção Oeste até o Vale das Cervejarias.
De ônibus/carro: visitantes do Sul e Sudeste devem pegar a BR-101 até o municÃpio de ItajaÃ, onde entrarão na BR-470 ou na SC-470 até Blumenau, para inÃcio do roteiro.
De navio: Itajaà é o porto de passageiros da região, mas a temporada de cruzeiros vai de novembro a abril. De ItajaÃ, deve-se buscar a BR-470 ou a SC-470 para chegar à s cidades que compõem o Vale das Cervejarias Artesanais.
*Fonte: Assessoria de Imprensa Oficina das Palavras